Nas tuas margens, ó Rio que segues caminho
Oiço longos e penetrantes gemidos;
São as árvores que choram baixinho
Os que por seus actos destemidos
Acabam por morrer oprimidos
Às mãos do povo cruel e mesquinho!
Até quando, ó Rio, até quando
Dirás com arrogância que te esqueces
Das lágrimas e continuarás negando
Que é com elas que te engrandeces?
Que frieza, que cruel consegues ser.
Não vês o que em teu redor se passa?
Acaso não está em tua mão o poder
De eliminar a dor que nos enlaça?
É escusado! Chegas a negar a verdade ...!
Já não distingues o enorme contraste
Entre o bem e o mal! Enfim, sem piedade
Convences-te de que sem sequer erraste.
Ah! Também a ti roubaram o coração!
Vou-me! Afinal, só perdi o meu tempo.
Nada mudou. As coisas que eram, serão:
A injustiça, a dor, até mesmo o desalento,
Palavras verazes, escorraçadas pelo vento
E as árvores que, sobre ti, eternamente, chorarão.
Lácia, do Lácio
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