quarta-feira, 28 de maio de 2008
O poema de ... - 2003.01.31
Da tristeza que me fizeste conhecer
Do amor com que me amaste
Do amor que me exigiste
Das mágoas que vivemos juntos
Dos sonhos que sonhámos
Daquilo que me deste
Do que pediste de mim
Do teu apoio
Do teu sorriso
Do teu olhar
Do teu abraço
...
...
...
Sei lá!
Lácia, do Lácio
Confusão - 2002.04.10
Paixão
Ódio
Repúdio
Calma
Pensamento
Papel
Poema
Sentimento
Fogo
Dor
Água
Gelo
Céu
Sol
Mar
Serenidade
Nostalgia
Coração
Amor
...
Lácia, do Lácio
Alegre submissão - 2002.02.12
Cuja pena não quer escrever!
Que dor a tua, que luz incompleta,
Que morte secreta,
Que aflitivo endoidecer!
Porque não escreve ela?
Ouve-me agora com atenção:
Por detrás de uma caligrafia bela,
Algo, timidamente, revela
Curiosa e simples explicação:
Não tem penas a matutar
A pena que se sente feliz!
Não se escreve sem chorar.
Mas se não chora e vai tentar
Escreve e contradiz!
Esta felicidade que a pena tem
Deixa-a viver, agora, em paz.
Vai e lembra sem desdém
O último poema que aqui jaz.
Sabe que já não és ninguém
E aceita o bom que a vida te traz.
Lácia, do Lácio
Pedra - 2001.08.08
Uma linda pedra apanhei.
Olhei-a e puz-me a pensar
Como em tão estranho lugar
Coisa tão bela encontrei ...!
Só muito depois entendi
Que a beleza é difícil de achar ...
E pondo-me de novo a pensar
Soube como em tão estranho lugar
Te encontrei um dia a ti!
Lácia, do Lácio
Exigências - 2001.05.22
Em mim o desejo de viver tudo num só dia
O sonho de correr o mundo neste instante
A vontade de sentir tudo até ao máximo
A ânsia de voar até à estrela mais bonita.
Hoje
Não consigo caber em mim
Quero mais que a vida
Mais que apenas eu
Quero este mundo ... e os outros
Quero o Universo!
Quero
Beber a água de todas as fontes
Comer as amoras de todas as silvas
Tudo
O que há é meu
O que há de haver é meu também
O mar, o Sol, a Lua!
Exijo
Saber tudo o que há para saber
Provar tudo o que há para provar
E viver, pensar, reviver, recordar
Ser mais que eu, mais que o mundo
Sentir mais do que toda a gente junta
Elevar-me acima do céu.
Assim, só assim, serei eu!
Lácia, do Lácio
Bonito - 2001.05.08
(o céu é azul, o azul é tudo e o mar infinito)
Sei que o auge de toda essa perfeição
É a certeza de estares aí, seja qual fora a situação.
Lácia, do Lácio
Ao Sol - 2001.04.20
As ideias fogem, a mente fica distorcida.
Sinto-me ao quadrado, por fora, por dentro, pelos lados ...!
Sinto-me só eu e nem por isso só.
Sou egoísta ao máximo. Não há ninguém no mundo para além de mim.
Sou só eu e o Sol.
Ao Sol o lápis escorrega melhor.
O Sol derrete as ideias, faz sentir as ideias, não pensa-las.
As ideias derretem, ficam informes.
As formas informes das ideias juntam-se, os sentimentos ganham forma, transformam-se em palavras.
Palavras exageradas como os sentimentos aquecidos.
Palavras não pensadas, só sentidas, sentidas ao cubo.
Palavras formam textos.
Textos descontrolados, hiper sentidos.
É fácil escrever ao Sol.
Lácia, do Lácio
Saudade - 2001.04.20
Do que um dia te fez feliz
Apenas conseguirás
Que a amargura se apodere de ti
Tempos idos?
É deixa-los! Já passaram!
Para quê fazeres-te lembrar
Que outros tempos foram melhores do que os de agora?
Lembrar é retroceder
É parar no tempo
É fingir que o presente não existe
É sonhar acordado.
Saudade é sentimento ruim
Que surge em que já viveu.
Melhor era, então, nunca ter vivido
Nem amado, nem sofrido
E apenas sonhar com o amanhã.
Se puderes, apagar da memória as recordações.
Deita-as fora, como lixo.
Varre-as. Queima-as.
Só assim terás sucesso
Na vida diferente que agora enfrentas.
Eu vivi feliz um dia.
Sei que não posso voltar atrás.
Não posso mudar o que disse, e o que fiz,
Nem consigo deixar de saber
Que sou infeliz porque dantes não o era.
Triste de mim que não me consigo fugir.
Terei este peso toda a vida?
Não sou quem fui um dia!
Mas estou presa ao passado,
Com o cadeado da saudade.
Odeio a saudade, e não a consigo largar;
Odeio-me a mim pela minha fraqueza;
Odeio mundo, que já não é o de outrora,
Odeio o mundo de outrora, porque já não existe.
Sou tola, inútil!
Não sejas tu como eu.
Tu aí, que moras no meu espelho
E que és a sombra apagada
Do que eu era antes da saudade.
Lácia, do Lácio
Chama rebelde que outrora ardias em mim - 2001.03.28
Que é feito de ti? Porque não sei onde estás?
Findaste, fugiste? Não, não desapareças assim!
Volta e diz-me porque tivestes de chegar ao fim.
Explica-me tudo e devolve-me a paz.
Espera! Não quero ver-te de novo a meu lado!
Acaso esqueci eu toda a dor que me trouxeste?
Sim tu! Agora sei o que me deixava naquele estado.
Tenho a alma desfeita, o coração bem marcado
Por tudo o que, sem eu querer, me fizeste.
Recordo agora porque te foste embora:
Expulsei-te! Lancei-te para fora do meu mundo.
Porque, então, me assombras ainda agora?
Não basta já o que passei? Vai, sem demora!
Vai-te! Some-te num poço sem fundo!
Vão engano foi tudo o que provaste ser!
Chamam-te por aí outras coisas: paixão, até amor ...
Não! Não és mais que um simples parecer
De uma chama cruel, cuja tarefa foi distorcer
Todo o meu eu, Oh, vai; vai-te por favor!
Já foste? Agradeço-te, bendita, força que tenho!
Liberdade! Mas ... estranho ... ainda me lembro de ti!
Luto outra vez, faço uso de todo o meu empenho
E estou certa de que já de ti desdenho,
De ti sim, chama do amor que alguma vez senti.
Lácia, do Lácio
Eu e eles - 2001.02.07
Digo-lhes que nem eu sei.
Perguntam-me o que sinto,
Digo-lhes que não consigo explicar.
Perguntam-me o que penso,
Digo-lhes que não me entenderiam.
Perguntam-me o que faço,
Digo-lhes que não tenho noção.
Perguntam-me de que gosto,
Digo-lhes que já não tenho a certeza.
Perguntam-me o que quero,
Digo-lhes que o mesmo de sempre.
Perguntam-me o porquê das coisas,
Digo-lhes que não sou ninguém para o dizer.
Perguntam-me porque estou sozinha,
Digo-lhes que não tenho com quem estar.
Perguntam-me o que espero,
Digo-lhes que espero o que vier.
Perguntam-me para onde vou,
Digo-lhes que para onde alguém me levar.
Perguntam-me porque sou assim,
Digo-lhes que não sei ser de outra maneira.
Lácia, do Lácio
Assim - 2001.02.06
Lindo, único, completo,
Simples, dócil, querido,
Sonhador, profundo, complexo,
Criança, frágil, sereno,
Realista, confiante, firme,
Possante, maduro, zeloso,
Frenético, indeciso, adolescente,
Sol, séu, lua e todas as estrelas,
Terra, mar ... enfim!
Azul! Tudo .... meu!
Somente!
É como eu quero, amor,
Que continues a ser.
Lácia, do Lácio
Nota: Para um menino da escola, por quem estava perdidamente apaixonada.
Frustação - 2001.01.09
Oiço longos e penetrantes gemidos;
São as árvores que choram baixinho
Os que por seus actos destemidos
Acabam por morrer oprimidos
Às mãos do povo cruel e mesquinho!
Até quando, ó Rio, até quando
Dirás com arrogância que te esqueces
Das lágrimas e continuarás negando
Que é com elas que te engrandeces?
Que frieza, que cruel consegues ser.
Não vês o que em teu redor se passa?
Acaso não está em tua mão o poder
De eliminar a dor que nos enlaça?
É escusado! Chegas a negar a verdade ...!
Já não distingues o enorme contraste
Entre o bem e o mal! Enfim, sem piedade
Convences-te de que sem sequer erraste.
Ah! Também a ti roubaram o coração!
Vou-me! Afinal, só perdi o meu tempo.
Nada mudou. As coisas que eram, serão:
A injustiça, a dor, até mesmo o desalento,
Palavras verazes, escorraçadas pelo vento
E as árvores que, sobre ti, eternamente, chorarão.
Lácia, do Lácio
Estou cansada de perseguir - 2000.11.02
O sonho em que outrora acreditei
Sei, enfim, que tenho de voltar a unir
Os laços que, sem dó, p'ra longe lancei.
Já é tarde!
Gastei as palavras, já não vale a pena escrever;
Gastei as lágrimas, já não vale a pena chorar;
Em vão suportei o que me fez sofrer;
Em vão prometi que nada me faria parar.
Oh, é tarde!
Investi o que ainda não tinha;
Lutei contra o que ainda não existia.
A força que usei? Não, não era a minha.
Agora sei que tentando ganhar ... perdia.
Eu sei, eu sei, é tarde!
Mas ... não! Nem tudo pode estar perdido.
Sempre que olhar o tempo em dor vivido,
Vou honrar a nobre recordação,
E saberei que é desperdiçar a vida sem sentido
Tentar seguir os desejos do coração!
Lácia, do Lácio
Olho o céu à hora do Sol se por - 2001.03.31
Olho o céu à hora do Sol se por…
Nada muda por estar eu a sofrer;
Nem o céu muda de cor,
Nem deixa o Sol de se esconder.
Lácia, do Lácio
No fundo de sabe-se lá donde - 2001.02.02
No fundo de sabe-se lá donde
Há sempre um sabe-se lá o quê que me fascina;
Que me prende, me agarra, endoidece, domina.
E que, sem motivo, logo foge, se retira e se esconde.
Convenço-me de que a luz da verdade abomina.
Bem dentro de algo vazio,
Chega a haver um tanto que me deixa completa.
Ignoro o que é, se simples, nobre ou se poeta!
Porque me mostra apenas seu lado sombrio?
Deste modo nunca saberei que é isto que tanto me afecta.
Será que é certo isto que penso?
É mesmo o mistério que me empurra para a vida?
E esta insegurança já há muito em mim nascida …
Que vai, volta, fica em mim por um tempo imenso …
E torna a ir, deixando-me só, fútil e vencida?
Apesar de todas as dúvidas,
Algo há, em mim, que se recusa a fazer a questão.
Que prefere não entrar, mesmo aberto o portão.
Que se contenta imaginando coisas indefinidas,
Que nunca foram nada, nem nunca serão.
Mesmo assim, é este o meu desejo:
Saber de coisas que admiro tanto quanto receio,
Coisas que, sem eu deixar, me envolvem no seu meio,
Que me confundem em redor do que amo, sinto e vejo
E me conduzem a este fascínio que tanto anseio!
Lácia, do Lácio