No fundo de sabe-se lá donde
Há sempre um sabe-se lá o quê que me fascina;
Que me prende, me agarra, endoidece, domina.
E que, sem motivo, logo foge, se retira e se esconde.
Convenço-me de que a luz da verdade abomina.
Bem dentro de algo vazio,
Chega a haver um tanto que me deixa completa.
Ignoro o que é, se simples, nobre ou se poeta!
Porque me mostra apenas seu lado sombrio?
Deste modo nunca saberei que é isto que tanto me afecta.
Será que é certo isto que penso?
É mesmo o mistério que me empurra para a vida?
E esta insegurança já há muito em mim nascida …
Que vai, volta, fica em mim por um tempo imenso …
E torna a ir, deixando-me só, fútil e vencida?
Apesar de todas as dúvidas,
Algo há, em mim, que se recusa a fazer a questão.
Que prefere não entrar, mesmo aberto o portão.
Que se contenta imaginando coisas indefinidas,
Que nunca foram nada, nem nunca serão.
Mesmo assim, é este o meu desejo:
Saber de coisas que admiro tanto quanto receio,
Coisas que, sem eu deixar, me envolvem no seu meio,
Que me confundem em redor do que amo, sinto e vejo
E me conduzem a este fascínio que tanto anseio!
Lácia, do Lácio
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