quarta-feira, 28 de maio de 2008

No fundo de sabe-se lá donde - 2001.02.02

No fundo de sabe-se lá donde

Há sempre um sabe-se lá o quê que me fascina;

Que me prende, me agarra, endoidece, domina.

E que, sem motivo, logo foge, se retira e se esconde.

Convenço-me de que a luz da verdade abomina.

Bem dentro de algo vazio,

Chega a haver um tanto que me deixa completa.

Ignoro o que é, se simples, nobre ou se poeta!

Porque me mostra apenas seu lado sombrio?

Deste modo nunca saberei que é isto que tanto me afecta.

Será que é certo isto que penso?

É mesmo o mistério que me empurra para a vida?

E esta insegurança já há muito em mim nascida …

Que vai, volta, fica em mim por um tempo imenso …

E torna a ir, deixando-me só, fútil e vencida?

Apesar de todas as dúvidas,

Algo há, em mim, que se recusa a fazer a questão.

Que prefere não entrar, mesmo aberto o portão.

Que se contenta imaginando coisas indefinidas,

Que nunca foram nada, nem nunca serão.

Mesmo assim, é este o meu desejo:

Saber de coisas que admiro tanto quanto receio,

Coisas que, sem eu deixar, me envolvem no seu meio,

Que me confundem em redor do que amo, sinto e vejo

E me conduzem a este fascínio que tanto anseio!



Lácia, do Lácio

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