quarta-feira, 28 de maio de 2008

Alegre submissão - 2002.02.12

Triste sina a tua, ó poeta

Cuja pena não quer escrever!

Que dor a tua, que luz incompleta,

Que morte secreta,

Que aflitivo endoidecer!

Porque não escreve ela?

Ouve-me agora com atenção:

Por detrás de uma caligrafia bela,

Algo, timidamente, revela

Curiosa e simples explicação:

Não tem penas a matutar

A pena que se sente feliz!

Não se escreve sem chorar.

Mas se não chora e vai tentar

Escreve e contradiz!

Esta felicidade que a pena tem

Deixa-a viver, agora, em paz.

Vai e lembra sem desdém

O último poema que aqui jaz.

Sabe que já não és ninguém

E aceita o bom que a vida te traz.



Lácia, do Lácio

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