quarta-feira, 28 de maio de 2008

Saudade - 2001.04.20

Nunca tentes lembrar-te
Do que um dia te fez feliz
Apenas conseguirás
Que a amargura se apodere de ti

Tempos idos?
É deixa-los! Já passaram!
Para quê fazeres-te lembrar
Que outros tempos foram melhores do que os de agora?

Lembrar é retroceder
É parar no tempo
É fingir que o presente não existe
É sonhar acordado.

Saudade é sentimento ruim
Que surge em que já viveu.
Melhor era, então, nunca ter vivido
Nem amado, nem sofrido
E apenas sonhar com o amanhã.

Se puderes, apagar da memória as recordações.
Deita-as fora, como lixo.
Varre-as. Queima-as.
Só assim terás sucesso
Na vida diferente que agora enfrentas.

Eu vivi feliz um dia.
Sei que não posso voltar atrás.
Não posso mudar o que disse, e o que fiz,
Nem consigo deixar de saber
Que sou infeliz porque dantes não o era.

Triste de mim que não me consigo fugir.
Terei este peso toda a vida?
Não sou quem fui um dia!
Mas estou presa ao passado,
Com o cadeado da saudade.

Odeio a saudade, e não a consigo largar;
Odeio-me a mim pela minha fraqueza;
Odeio mundo, que já não é o de outrora,
Odeio o mundo de outrora, porque já não existe.

Sou tola, inútil!
Não sejas tu como eu.
Tu aí, que moras no meu espelho
E que és a sombra apagada
Do que eu era antes da saudade.

Lácia, do Lácio

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